Novos medicamentos para o Diabetes tipo II
A incidência de Diabetes na população vem aumentando de forma assustadora nas últimas décadas, muito por conta do aumento concomitante dos casos de Obesidade e Sobrepeso, influenciado pelo sedentarismo e maus hábitos alimentares, além de fatores genéticos e ambientais. Felizmente, houve avanços importantes no tratamento do Diabetes tipo II com o lançamento há cerca de três anos de uma classe de medicação conhecida por inibidores da SGLT-2. Apesar de já estar no mercado há um certo tempo, benefícios adicionais deste grupo de medicamentos vêm surgindo a cada novo estudo apresentado e novidades ainda virão, tornando assim sua prescrição cada vez mais comum e conhecida pelo público em geral. Notamos ainda que há um grande número de pacientes ou mesmo de médicos que tem pouco ou nenhum entendimento sobre estes fármacos. Quais destes novos medicamentos para o Diabetes tipo II estão disponíveis no Brasil? Em nosso país, estão disponíveis 3 diferentes tipos de inibidores da SGLT-2: Dapagliflozina (Forxiga), Empagliflozina (Jardiance) e Canagliflozina (Invokana). Apesar de haver pequenas diferenças entre estes fármacos, o mecanismo de ação deles essencialmente é o mesmo. O efeito principal é exercido pelos rins, através de um mecanismo que elimina o excesso de glicose do sangue pela urina. Em comparação a medicamentos para Diabetes lançados anteriormente, chamou a atenção diversos aspectos positivos, como risco praticamente ausente de hipoglicemias, perda de peso média de 3 kg em 6 meses, leve redução dos níveis de pressão arterial e ácido úrico, potente no controle glicêmico em comparação a outras drogas, é seguro para os rins, entre outros. Que outras vantagens estes novos medicamentos para o Diabetes tipo II proporcionaram em comparação às anteriores? O que mais chamou a atenção nos estudos sobre segurança destes novos medicamentos para o Diabetes tipo II foram os resultados de um grande estudo feito com a Empagliflozina (Jardiance), chamado EMPA-REG (*). Neste estudo, houve uma redução significativa na mortalidade geral por doenças cardiovasculares (redução de 38%), Infarto não-fatal e Acidente Vascular Cerebral (AVC) não-fatal (redução de 14%) e internações hospitalares por Insuficiência Cardíaca (redução de 35%) em comparação a associação de outros fármacos para Diabetes mais placebo. Outros grandes estudos envolvendo a Dapagliflozina (Forxiga) e Canagliflozina (Invokana) estão em andamento e o esperado é que demonstrem dados semelhantes aos vistos com a Empagliflozina (Jardiance), dada a similaridade entre as medicações. Todos os pacientes podem usar estes novos medicamentos para o Diabetes tipo II? Pode ser prescrita para emagrecimento? Importante ressaltar que apesar de serem ótimas medicações, elas possuem alguns efeitos colaterais e contraindicações para sua prescrição em alguns casos e, portanto, ela não deve ser indiscriminada e sempre necessita ser ponderada pelo médico. O efeito adverso mais comum foi um aumento na incidência de infecções genitais (nas mulheres vulvovaginites e nos homens balanopostites), normalmente de fácil controle e controladas com medidas de higiene íntima. É contraindicado em pacientes portadores de Insuficiência Renal em graus moderados e graves, pois neste grupo o efeito da medicação tende a ser reduzido e, portanto, ineficaz. Seu uso também não foi aprovado para pacientes que desejam somente perder peso. Novos estudos com relação ao tratamento da obesidade e sobrepeso estão em andamento e devemos aguardar os resultados. Como sempre digo, nunca se automedique! Consulte sempre um médico e verifique se tem ou não indicação de utilizar esta classe de medicação. (*). Zinman B, et al. Rationale, design, and baseline characteristics of a randomized, placebo-controlled cardiovascular outcome trial of empagliflozin (EMPA-REG OUTCOME). Cardiovasc Diabetol. 2014;13:102. Gostou deste artigo? Clique aqui e cadastre-se para receber dicas de saúde e informações sobre endocrinologia!
O que é hemoglobina glicada?
Você sabe o que é o exame de hemoglobina glicada? Se você é diabético ou convive com um portador de diabetes, provavelmente já deve ter ouvido muito o médico falar sobre este exame. Ele é simplesmente fundamental para o controle do diabetes, saber se a doença está compensada ou não, embora não seja o único parâmetro. Geralmente os pacientes prestam mais atenção somente no valor da glicemia de jejum, mas sem o exame de hemoglobina glicada (também chamada de hemoglobina glicosilada ou HbA1c), fica muito difícil para o médico saber se o controle do diabetes está dentro da meta ou não. Por que o exame de hemoglobina glicada é tão importante para os diabéticos? Para entender a importância da hemoglobina glicada, é necessário ter uma noção básica do que mede este exame. Dentro dos glóbulos vermelhos ou hemácias, existe uma proteína chamada de hemoglobina, que é responsável por carregar o oxigênio dos pulmões para os órgãos e tecidos através da circulação. Mas não é apenas o oxigênio que pode “viajar” pela corrente sanguínea de “carona” na hemoglobina. A glicose também pode se ligar a hemoglobina, porém de maneira irreversível, ao contrário do oxigênio, que se liga temporariamente à hemoglobina e logo é liberado nos tecidos. Como o glóbulo vermelho circula por um período de cerca de 3 meses antes de ser removido da circulação e degradado, caso uma molécula de glicose se ligue à hemoglobina que está em seu interior, a mesma permanecerá “grudada” até o fim da vida do mesmo. Em termos médicos, isto significa que a hemoglobina agora está glicada. O exame mede o percentual de glicose que está ligada à hemoglobina, como veremos adiante os valores de referência. O que importa saber é que, na prática, a hemoglobina glicada mede como anda o controle do diabetes nos últimos 3 meses, que é aproximadamente o período de vida útil médio dos glóbulos vermelhos. Enquanto a glicemia de jejum pode ser entendida como uma “fotografia” de como estava a glicemia na manhã do dia da coleta de exame de sangue, a hemoglobina glicada seria uma espécie de “filmagem” de longa duração do diabetes, o que a torna uma medida mais fidedigna de como estava o controle glicêmico em um período maior. Por exemplo, há pacientes que apresentam glicemia em jejum controlada (entre 80 e 120 mg/dl), mas a hemoglobina glicada está alta. O que isto quer dizer? Pode ser que o período do dia em que o diabetes esteja mal controlado seja após as refeições ou no final do dia e a glicemia de jejum, por ser a medida de um único horário, traz a falsa impressão de um bom controle. Outra possibilidade são pacientes que fazem irregularmente o tratamento do diabetes e, ao se aproximar do dia da consulta, passam a cuidar mais do diabetes para mostrar um exame de glicemia de jejum melhor para o seu médico e não levar aquela bronca! Porém, como a hemoglobina glicada traz a média do controle glicêmico dos últimos 2 a 3 meses principalmente, ela vai “entregar” que o paciente só melhorou nos últimos dias. Por conta disto, não faz sentido solicitar hemoglobina glicada em intervalos muito curtos como de semanas, pois não é esperado que haja variações significativas em seus valores em tão pouco tempo. Como interpretar os valores de hemoglobina glicada? A meta de controle de hemoglobina glicada para um paciente diabético, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) situa-se abaixo de 7%. Algumas associações médicas adotam o valor abaixo de 6,5%. Em idosos e crianças, há uma margem de tolerância maior, com valores sugeridos abaixo de 7,5% ou 8%, pois estas populações podem não tolerar muito bem os efeitos da hipoglicemia, que é a queda na taxa dos níveis de glicose abaixo de 70 mg/dl e uma consequência comum na tentativa de se obter controles glicêmicos mais rigorosos. Valores acima de 9% são considerados muito elevados e podem indicar necessidade de um tratamento mais intensivo, como uso de insulina, por exemplo. Além do seu papel no monitoramento do diabetes, a hemoglobina glicada vem sendo adotada nos últimos anos também como parâmetro diagnóstico para diabetes e “pré-diabetes”, juntamente com a glicemia de jejum e a glicemia medida 2 horas após teste de sobrecarga oral com 75g de glicose, cujos valores são: – Normal: ≤ 5,6% – Risco aumentado para evoluir com diabetes (“pré-diabetes”): entre 5,7% e 6,4% – Sugestivo de diabetes: ≥ 6,5% Importante destacar que a hemoglobina glicada não é um exame perfeito. Por exemplo, alguns pacientes apresentam excessiva variação nas taxas de açúcar ao longo de um dia, em determinados momentos apresentam picos acima de 200 ou 250 mg/dl e em outros alternam com episódios de hipoglicemias, com valores de 40 ou 50 mg/dl. Como a hemoglobina glicada apenas fornece uma média do período, entre picos e quedas nos valores de glicose, a média pode resultar em um valor aparentemente ideal, mas longe de ser o adequado para um diabético. O ideal é que o paciente apresente uma hemoglobina glicada controlada e com valores de glicemia controladas dentro de uma faixa mais estreita. Existem outros fatores que podem interferir na análise da hemoglobina glicada e traduzir em valores falsamente elevados ou diminuídos, destacando-se: quadros de anemia, insuficiência renal, doenças relacionadas a hemoglobina (anemia falciforme, talassemias), hemorragias, aumento no nível de triglicérides, alcoolismo, uso crônico de ácido acetilsalicílico, etc. Nestes casos, outros parâmetros devem ser adotados pelo médico que acompanha o caso. Em resumo, todo o paciente diabético deve saber da importância do valor da hemoglobina glicada e, se possível, deve ter em mente ou anotado seu último valor para auxiliar o médico se o tratamento está ou não no caminho certo. Caso seja diabético ou mesmo apresente excesso de peso com histórico familiar de diabetes e nunca tenha feito este exame, solicite ao seu médico, pois poderá ser muito útil! Gostou deste artigo? Clique aqui e cadastre-se para receber dicas de saúde e informações sobre endocrinologia!
“Pâncreas Artificial": O futuro do tratamento do Diabetes Tipo 1?
O Diabetes Tipo 1 é uma doença de difícil manejo, tanto para seus portadores quanto familiares e qualquer novidade terapêutica nesta área é sempre aguardada com muita expectativa, e aí se inclui o lançamento do “Pâncreas Artificial” ou sistema de infusão em alça fechada, que foi um dos grandes destaques do congresso da American Diabetes Association (ADA) deste ano. Para quem desconhece a doença, o Diabetes Tipo 1 é uma situação clínica na qual há uma deficiência total na produção de insulina, hormônio responsável por facilitar a entrada de glicose nas células, induzida pela formação de anticorpos que “confundem” as células pancreáticas produtoras de insulina com um corpo estranho ao organismo. As células são destruídas por estes auto-anticorpos, levando ao esgotamento completo nos níveis de insulina. A doença acomete principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens que necessitam desde o início de reposição de insulina através de múltiplas injeções. Mesmo com os últimos avanços nesta área, através do surgimento de novos tipos de insulina, sistemas de bomba de infusão contínua de insulina, novos aparelhos de monitorização glicêmica, entre outros, o tratamento do Diabetes Tipo 1 permanece bastante complexo e apenas uma minoria dos pacientes estão compensados. Eles ainda sofrem muito com a variação glicêmica excessiva, em determinado momento do dia apresentam picos glicêmicos que podem levar a complicações do diabetes e em outros surgem episódios assustadores de hipoglicemia, isso mesmo após diversas tentativas de ajuste nas dosagens de insulina, na rotina alimentar e de exercícios físicos. Enquanto propostas de tratamento anteriormente promissoras, como transplante de células-tronco pancreáticas e neutralização dos auto-anticorpos, evoluem em um ritmo muito lento antes de serem aprovados para uso público por conta da altíssima complexidade de desenvolvimento desta técnica, uma nova modalidade terapêutica vem ganhando destaque com perspectiva realista de acesso aos pacientes em um futuro breve: o “Pâncreas Artificial”. Como funcionará o “Pâncreas Artificial”? Trata-se de um sistema que combina duas bombas de infusão contínua subcutânea, uma de insulina, para não permitir aumento nos níveis de glicose e outra de glucagon, outro hormônio que é responsável por estimular órgãos como o fígado a produzir e liberar glicose na corrente sanguínea, caso haja queda dos níveis de açúcar no sangue e risco de hipoglicemia. Coordenando estas duas bombas, há um sensor de glicose colocado sobre o abdômen do paciente que, através de uma pequena agulha, atravessa a pele e passa a medir continuamente as taxas glicêmicas do líquido subcutâneo (ou intersticial), e transmite estes valores a um monitor de glicose. Este, por sua vez, atua como o “cérebro” deste sistema, programado com inúmeros algoritmos que determinarão a dose necessária de infusão de insulina ou de glucagon, a depender dos níveis de glicose. Não há interferência externa do paciente e do médico com relação as doses aplicadas. Impressionante não? Dois aparelhos são os principais candidatos a “Pâncreas Artificial”: O iLet, desenvolvido em parceria entre o laboratório Beta Bionics e o engenheiro professor da Boston University, Edward R. Damiano (cujo filho David, portador de Diabetes Tipo 1, motivou suas pesquisas). O outro é o sistema 670G MiniMed da Medtronic, que neste momento é testado apenas como um sistema de única bomba de insulina auto ajustável, sem a associação da bomba de glucagon. De acordo com o UK National Institute for Health Research, a perspectiv de lançamento ao público do “Pâncreas Artificial” é até 2018, embora alguns pesquisadores se mostrem mais céticos quanto a esta data. O que falta para o “Pâncreas Artificial” ser lançado? Apesar das pesquisas estarem relativamente bem avançadas, ainda há problemas a serem sanados antes do lançamento. O primeiro diz respeito ao glucagon, cuja molécula é instável e necessitaria de substituição no reservatório da bomba a cada 24 horas e, ao contrário da insulina, desconhece-se os efeitos da infusão contínua do glucagon sobre o tecido subcutâneo em longo prazo. Outra questão diz respeito a calibragem e segurança do sistema de leitura de glicose contínua, que não pode apresentar falhas, sob o risco de transmitir ao “cérebro” do aparelho um valor errado de glicose e, por consequência, infundir uma dose mal calculada de insulina ou glucagon, podendo gerar consequências desastrosas. O tipo de insulina a ser colocado no dispositivo ainda permanece em debate, pois as insulinas disponíveis hoje no mercado para colocação nas bombas de insulina tradicionais, de ação ultra-rápida (ex: lispro, asparte e glulisina), ainda apresentam um atraso no início de seu efeito de cerca de 30 minutos e seus efeitos podem durar até 3 a 5 horas. Esta demora no efeito pode oferecer riscos para hipoglicemia, como após prática de exercícios físicos intensos. A associação da bomba de glucagon poderia oferecer uma proteção para tal, mas ainda são necessários mais estudos. Existe também a preocupação com a segurança do aparelho em relação a possíveis ataques cibernéticos, como hoje ocorre em computadores e celulares e é necessário o desenvolvimento de softwares de proteção. A miniaturização do equipamento é outro ponto a ser revisto. Com tanta tecnologia e investimento aplicado, é esperado que o custo inicial seja algo impeditivo para a maioria dos pacientes e há muita discussão sobre se as seguradoras de saúde e os governos deveriam ou não arcar com estes valores. Embora existam todos estes questionamentos, estudos internos com duração de até 3 meses mostraram-se bastante promissores, com significativa diminuição na variabilidade glicêmica e potencial maior segurança aos pacientes, além de possibilitar um alto grau de autonomia para o paciente, que deixaria de se preocupar com horários de aplicação, ajustes de doses de insulina conforme a refeição, etc. Aos portadores de Diabetes Tipo 1 e seus familiares, ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas o lançamento do “Pâncreas Artificial”, poderá tornar a jornada destes pacientes muito mais suave. teste Gostou deste artigo? Clique aqui e cadastre-se para receber dicas de saúde e informações sobre endocrinologia!
Cuidados com o Pé Diabético
O Pé Diabético é uma complicação do diabetes muito comum, pouco abordada em consultas médicas e desconhecida por muitos dos pacientes. Compreende alterações neurológicas, vasculares e/ou ortopédicas nos pés, podendo inicialmente ser assintomáticas, mas que apresentam caráter crônico, progressivo e que podem, no futuro, levar as temidas complicações de úlceras e amputações. Estima-se que cerca de 15% dos pacientes diabéticos apresentarão em algum momento sinais indicativos de Pé Diabético. O diabetes hoje corresponde à principal causa de amputação não traumática de membros inferiores, em média de 50% a 70% destas amputações nos EUA. Mesmo antes de se chegar a este estágio, o Pé Diabético pode representar um importante fator limitador, levando ao isolamento do indivíduo, aposentadoria compulsória e dependência de terceiros para seus cuidados e locomoção, o que gera um enorme custo social. Sabe-se também que as alterações neurológicas e vasculares nestes pacientes não estão presentes somente nos pés e sim em outros órgãos e sistemas, como rins, retina, artérias do coração, cérebro, etc. Desta maneira, o portador de Pé Diabético é considerado um paciente de alto risco para outras complicações e mortalidade, podendo chegar nos pacientes com úlceras e/ou amputações a mais de 70% de risco de morte em 10 anos. Quais os sinais e sintomas de alerta para o Pé Diabético? Como foi dito antes, na maioria das vezes o início desta complicação é completamente assintomática do ponto de vista do paciente e somente durante a consulta médica, através de testes de sensibilidade (teste do monofilamento, diapasão, sensibilidade tátil, térmica, etc) é que serão detectados os casos suspeitos. Os pés, por estarem longe do alcance de nossos olhos (sem contar que muitos pacientes já não enxergam muito bem…), podem ter os seus primeiros indícios de doença completamente ignorados. Portadores de diabetes, portanto, devem ficar atentos às seguintes alterações: – Pés ressecados, descamativos e com rachaduras – Áreas de formação de calos. Estes locais são os que recebem maior pressão de contato e mais suscetíveis ao surgimento de úlceras – Pés vermelhos, quentes, com veias dilatadas em seu dorso (neuropatia) – Pés pálidos ou arroxeados, com sensação constante de frio e pele fina (doença vascular) – Sensação de “dormência”, “choque”, “pontada”, “queimação”, que podem ser constantes ou intermitentes. – Perda do chinelo(s) e sandália(s) sem que seja percebido, durante uma caminhada, devido anestesia dos pés. – Unhas dos pés finas, quebradiças e que demoram a crescer. Diminuição de pelos nos pés. – Ferimentos nos pés que demoram a cicatrizar ou que estão aumentando de tamanho, inclusive micoses entre os dedos. – Alterações no formato da planta do pé (ex: perda da curvatura normal do arco plantar com “achatamento” do mesmo), dedos “em garra” e desequilíbrio ao andar. Como tratar o Pé Diabético? Sem dúvida nenhuma, a prioridade é manter um controle glicêmico rigoroso, através de um adequado programa de atividades físicas, dieta e uso correto de medicamentos para diabetes, antecipando, desta forma, o surgimento das complicações do Pé Diabético. Evite cigarro, controle bem a pressão arterial, colesterol e outras doenças que podem levar a má circulação para os pés e piorar ainda mais o quadro clínico. Antes de iniciar a atividade física, é necessário examinar os pés para a escolha do par de tênis ideal, podendo esta avaliação ser feita também em conjunto com podólogo (especialista não-médico em cuidados com os pés) e ortopedista. O calçado deve ser confortável, fechado (para minimizar o risco de entrada de objetos potencialmente lesivos aos pés, como pedras, cacos de vidro, etc) e com palmilhas próprias para a curvatura das plantas dos pés. Evitar calçados apertados e que possam induzir o aparecimento de calos e joanetes. Em casos mais específicos em que já haja deformidades dos pés ou mesmo amputação de dedos ou de parte de um dos pés, o calçado deve ser confeccionado sob medida. Utilize loções hidratantes. Atualmente existem produtos eficazes e apropriados para o uso em diabéticos, pergunte ao seu médico. Checar sempre o interior dos calçados em busca de corpos estranhos em seu interior, antes de calçá-los. Utilizar meias confortáveis e anti-transpirantes, como de algodão, por exemplo. Evite tomar banho muito quente, para evitar o ressecamento excessivo da pele ou mesmo queimaduras, e muito frio, principalmente naqueles que já apresentam problemas circulatórios nos pés. Enxugue bem os pés, principalmente entre os dedos, para evitar o surgimento de micoses. Mantenha os pés bem agasalhados em dias mais frios. Muito cuidado ao andar descalço em lugares quentes, como areia da praia, por exemplo. Nunca tente resolver um problema de unha encravada, calos e joanetes sozinho ou com a pedicure, podem surgir lesões graves. Evite remover cutículas e mantenha o corte das unhas reto. Procure um podólogo, se necessário. O médico deve, pelo menos uma vez ao ano, fazer um exame físico detalhado dos pés. Peça sempre para ser examinado e informe sobre quaisquer alterações que tenha notado em seus pés, por mais que elas pareçam inofensivas e sem relação com o diabetes. Em caso de lesões ulcerosas e que demoram a cicatrizar, o tratamento pode ser mais complexo e envolver endocrinologista, cirurgião vascular, cirurgião plástico, ortopedista, enfermeira e podólogo, para a prescrição de antibióticos, curativos, tratamento tópico e debridamento das lesões, investigação de infecções ósseas associadas, avaliação de necessidade de terapia com oxigênio hiperbárico, enxertos de pele, etc. Jamais atrase o tratamento de uma úlcera em Pé Diabético! Não abandone aqueles que sustentam seu corpo todos os dias! Gostou deste artigo? Clique aqui e cadastre-se para receber dicas de saúde e informações sobre endocrinologia!
Sono ruim, obesidade e diabetes
Não é coincidência a relação vista nos últimos anos entre a piora na qualidade do sono com o aumento no número de casos de pessoas acima do peso e diabéticos. Dados norte-americanos do Center of Disease Control and Prevention (CDC) concluíram que mais de um terço da população dos EUA (cerca de 83,6 milhões de adultos) dormem menos de 7 horas por dia. Ao mesmo tempo, a proporção de indivíduos obesos e diabéticos só vem aumentando, hoje cerca de 35,1% desta população está obesa e mais de 29 milhões de norte-americanos possuem diabetes. Além disto, má qualidade do sono também se relaciona a piora dos controles de pressão arterial, colesterol e de transtornos do humor. Atualmente existe um grande número de estudos publicados demonstrando que a deterioração da qualidade do sono é fator de risco para o aumento na incidência de obesidade e diabetes. Dormir mal induz a uma elevação de hormônios sabidamente relacionados com ganho de peso, resistência à insulina e diabetes, como cortisol, epinefrina, norepinefrina e ghrelina e a diminuição de hormônios que favorecem o gasto energético, como o TSH (que regula a produção dos hormônios tireoidianos T4 e T3) e leptina. Por que o sono de tantas pessoas piorou nos últimos anos? A verdade é que nos dias de hoje não damos o verdadeiro valor que o sono merece. Enfatizamos a importância de se fazer uma dieta adequada e atividades físicas, mas dormir bem é tão importante quanto estes dois primeiros. Mudanças nas jornadas de trabalho, com a inclusão de horas-extras noturnas, reuniões de trabalho e eventos sociais após o expediente, preferência por realizar tarefas profissionais no período noturno ao invés do diurno, etc, levando a uma diminuição no sono noturno, estiveram relacionadas a um aumento no peso aferido pelo índice de massa corpórea (IMC), pior controle nos níveis de colesterol, aumento da medida de circunferência abdominal e de resistência à insulina, fator este relacionado ao desenvolvimento futuro de diabetes, de acordo com estudo realizado pela Universidade de Pittsburgh em 2012. Outro ponto estudado foi a maior exposição à luz artificial no período noturno. Desde o excesso de iluminação domiciliar à noite, passando pelo uso prolongado de aparelhos luminosos como TV, computadores, telefones celulares, tablets, etc, ainda mais se os mesmos estão no mesmo ambiente em que a pessoa dorme, vem sendo estudados por uma equipe de pesquisadores da Universidade do Colorado como um provável fator relacionado a mudanças no ciclo de sono e vigília. Finalmente, outra causa bastante relacionada com piora da qualidade do sono são os chamados Distúrbios Respiratórios do Sono, que apresentam múltiplas causas incluindo a Síndrome da Apnéia/Hipopnéia Obstrutiva do Sono. A maior dificuldade do indivíduo em respirar durante o sono pode levar a queda na saturação de oxigênio no sangue e a um estado crônico de má oxigenação e retenção de gás carbônico. Isto leva a pessoa a apresentar um maior número de microdespertares noturnos, diminuição dos períodos de sono profundo, que acabam por induzir um aumento daqueles hormônios relacionados ao estresse que levam ao ganho de peso e diabetes. Por conta disto, o indivíduo passa a ter maior facilidade em ganhar peso e este sobrepeso pode levar a uma piora deste quadro de dificuldade respiratória durante o sono, devido ao efeito obstrutivo do tecido adiposo adquirido sobre as vias aéreas, que por sua vez piora ainda mais a capacidade respiratória, criando um verdadeiro círculo vicioso. E o que podemos fazer para ter uma noite de sono melhor e ajudar na prevenção destas doenças? Algumas dicas que podemos seguir para ter uma melhor qualidade do sono, são: – Marcar reuniões de trabalho ou outros compromissos profissionais no período noturno somente quando realmente necessário. – Se o seu trabalho envolve o período noturno, considere uma mudança de turno, mesmo que esta troca não seja imediata. – Caso tenha mesmo que levar trabalho para casa ou tenha que estudar até mais tarde para uma prova ou concurso, imponha um horário limite para a conclusão dos mesmos, uma sugestão seria interromper no máximo até às 22 horas. – Outra opção seria respeitar o horário de ir para cama e acordar um pouco mais cedo. É melhor esta hora-extra antes do expediente do que após para nosso sistema endócrino. – Diminua o número de lâmpadas ligadas em casa para somente o necessário. Isto ainda vai lhe ajudar a economizar energia elétrica. – Desligue ou deixe distante de sua cama telefone celular, tablet e computador. Se possível retire a TV do quarto ou pelo menos dificulte o acesso ao controle remoto. – Evite o consumo de alimentos psicoestimulantes no período noturno, como café, chás verdes, refrigerantes a base de cola e guaraná, energéticos, chocolate, queijos, etc, e alimentos de difícil digestão como carnes e molhos gordos, frituras, pratos muito volumosos, etc. – Se alguém percebeu que você ronca muito à noite ou apresenta pausas prolongadas na respiração e sonolência diurna excessiva, procure um médico otorrinolaringologista. Você pode apresentar o chamado Distúrbio Respiratório do Sono, que abrange a Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono, cujo mecanismo foi descrito acima. – E caso realmente a semana que está tendo não permita um sono adequado, tente compensar com um período de sono um pouco mais prolongado ou pequenos cochilos aos fins de semana. Esta não é a medida ideal, mas pode ser útil em momentos de maior privação de sono. Espero que estas dicas e uma maior conscientização da importância de ter um sono adequado ajude você a ter mais saúde! Gostou deste artigo? Cadastre-se aqui e receba mais informações e dicas de saúde em endocrinologia.
