10 sinais e sintomas de que a glicose está alta no sangue
Em seus estágios iniciais o diabetes costuma ser silencioso, sendo necessário o seu controle por meio de exames de sangue e o monitoramento através de glicosímetros, ainda assim é importante estarmos alertas aos seguintes sinais e sintomas: 1 – Diurese e sede excessivas: o organismo elimina o excesso de açúcar do sangue através da urina. Mais açúcar, mais diurese e maior a necessidade de beber água para repor os fluidos perdidos; 2 – Cansaço e fraqueza: no diabetes a glicose encontra dificuldade em entrar nas células, reduzindo dessa forma o seu fornecimento de energia;3 – Alterações visuais: surgem de várias maneiras, desde turvamento visual, variação do grau dos óculos, visão dupla, manchas no campo de visão, entre outros; 4 – Infecções de repetição: o excesso de açúcar é tóxico para as células de defesa do organismo e aumenta o risco de infecções urinárias, respiratórias, candidíase genital etc;5 – Inchaço nas extremidades: para diminuir a glicose do sangue pela urina, ocorre uma sobrecarga dos rins que, com o passar dos anos, perdem gradualmente sua função e capacidade de eliminar o excesso de líquidos; 6- Formigamento e perda de sensibilidade dos pés: o diabetes também é tóxico para os delicados nervos responsáveis pela sensibilidade, mais notada nos pés no início da doença; 7 – Impotência sexual em homens: pela dificuldade de circulação de sangue para o pênis e diminuição da sensibilidade nervosa do órgão que leva à excitação; 8 – Perda de peso não intencional: a eliminação excessiva de glicose pelos rins leva a perda de calorias que deveriam ser fornecidas às células. Perder peso, nesse caso, não é um bom sinal; 9 – Má digestão e alterações do hábito intestinal: como disse, o diabetes é tóxico para os nervos, inclusive aqueles responsáveis pelos movimentos do estômago e intestino; 10 – Cicatrização lenta: cortes e ferimentos podem demorar mais tempo do que o normal para cicatrizarem pois o diabetes obstrui os vasos que levam plaquetas e fatores de coagulação para o local da lesão.
Como o estresse afeta o Diabetes
Existe diabetes de causa emocional? Essa é uma pergunta comum em consultório visto que muitos pacientes já associaram o surgimento ou descontrole do diabetes a um episódio de estresse, como perda do emprego, brigas, doença na família etc. Fora o diabetes tipo 1, 2, algumas formas genéticas mais raras, pós doenças no pâncreas etc., não existe um diabetes emocional, mas o estresse pode vir a descompensar ou tornar aparente um diabetes ainda latente. Durante uma situação de estresse ocorre uma série de alterações neuro-hormonais, com aumento de substâncias como adrenalina, cortisol e glucagon, que atuam liberando as reservas de glicose no sangue. O organismo “entende” que uma situação de estresse pode ser perigosa, como ao tentar fugir de um incêndio ou lutar contra um agressor, e aí é importante dispor do máximo de energia vinda da glicose. Porém, em muitos casos, essa resposta é exagerada e se torna um problema principalmente em diabéticos. Como o diabetes leva a uma série de doenças como infarto, AVC, cegueira, insuficiência renal, além de poder agravar os casos de COVID-19, é essencial além da dieta e do uso correto das medicações, saber manejar situações de estresse para que isso não se torne um problema ainda maior: – Tenha uma rotina de horários de trabalho, lazer, afazeres domésticos etc. A desorganização da agenda leva a uma sensação permanente de estresse; – Pratique atividades físicas, além da queima calórica o exercício tem potencial de diminuir os níveis de estresse; – Evite o excesso de informações pela TV e Internet, principalmente nesses tempos de pandemia. Desconecte-se em alguns momentos da semana; – Procure meditar pelo menos de 10 a 15 minutos por dia; – Saiba ser mais seletivo com o que realmente vale a pena se preocupar; – Tenha uma atitude positiva com a vida. Alimente seu lado espiritual; – Respeite os horários e tenha qualidade de sono; – Conte com o apoio de familiares, amigos, do seu médico e psicólogo nos momentos mais difíceis.
Diabetes e o cuidado com os olhos
O diabetes é uma das doenças que mais acomete os olhos, em alguns casos ocasionando cegueira completa e irreversível. São várias as complicações oculares causadas pelo diabetes, desde instabilidade na refração (quando a visão para longe ou perto parece variar), estrabismo por paralisia dos nervos dos músculos oculares, maior risco para úlceras de córnea, catarata e glaucoma. Entretanto, a complicação mais comum e que mais leva a cegueira é a retinopatia diabética. Nesse caso, o alto nível de glicose leva a obstrução das delicadas artérias das retinas, que é a região dos olhos onde se formam as imagens, provocando ruptura destes vasos e sangramentos. Por sua vez, a má circulação das retinas induz ao crescimento de novos vasos para “compensar” os obstruídos, mas eles são mais frágeis, se rompem com facilidade e causam hemorragias, descolamento da retina e perda visual. Apesar de grave, é comum os pacientes diabéticos não darem a devida atenção aos olhos, pois no início os sintomas visuais são raros e leves. Porém, quanto mais tempo a pessoa tem de diabetes, maiores serão as chances de desenvolver tais complicações. Após 10 a 15 anos de diabetes, cerca de 25% a 50% dos pacientes vão ter algum grau de retinopatia. Esse número aumenta com o passar dos anos e praticamente todos os pacientes com 30 anos ou mais de diabetes desenvolverão retinopatia. Por isso, o controle glicêmico rigoroso e precoce, assim que o diabetes é diagnosticado, é a medida mais importante de prevenção a ser tomada. Além disso, o paciente deverá ter um bom controle da pressão arterial, do colesterol, deixar de fumar e ter hábitos de vida saudáveis. E além do acompanhamento com endocrinologista, o paciente diabético deverá visitar o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano para a realização de exames mais detalhados dos olhos e eventual tratamento.
14 de novembro: dia mundial da diabetes
Dia 14 de novembro celebraremos o Dia Mundial do Diabetes, que está inserido em uma campanha de conscientização maior, juntamente com o câncer de próstata, que é o “Novembro Azul”.⠀Acredito que a maior parte das pessoas já sabe dos riscos que o diabetes pode trazer a nossa saúde. Ele aumenta o risco de doenças cardiovasculares como infarto, acidente vascular cerebral, além de levar a disfunção de nervos, insuficiência renal, amputações, demência, cegueira, diminuição da expectativa de vida entre outros.⠀Não bastasse essas conhecidas complicações temos agora a COVID-19 que pode acometer os diabéticos de forma mais grave.⠀Enfim, ser diabético é viver sob a sombra constante de uma doença sorrateira, que em muitos casos avança sem dar aviso até que surjam graves complicações.⠀Porém, hoje eu gostaria de me dirigir aos pacientes diabéticos e seus familiares não para criar pânico, mas sim para trazer uma palavra de conforto e esperança.⠀Na última década presenciamos enormes avanços no tratamento do diabetes.⠀Melhoramos a abordagem da dieta, em que procuramos enfatizar mais o comer com qualidade do que simplesmente restringir certos alimentos sem oferecer opções, assim como evoluímos na prescrição de exercícios físicos para os diabéticos.⠀Além disso, surgiram novidades como sensores para medir glicose sem necessidade de várias picadas nas pontas dos dedos, insulinas mais modernas e precisas, medicamentos melhores, com menor risco de hipoglicemias, que tratam não somente o diabetes como a obesidade, a gordura no fígado e que reduzem mais intensamente o risco de doença cardiovascular e insuficiência renal.⠀Sei que muitos desses novos tratamentos ainda não são acessíveis a todos, mas mesmo com pouco hoje conseguimos atender melhor os diabéticos do que anos atrás e os custos com novas tecnologias tendem a cair com o tempo.⠀Ainda que estejamos longe de uma cura, hoje é possível ser diabético e ter mais qualidade de vida e menos sofrimento. Procure um endocrinologista e saiba mais.
Previna o diabetes com alimentos integrais, vegetais e frutas
Para prevenir e combater o diabetes não basta apenas medicamentos, seguir uma dieta saudável e balanceada é tão importante quanto. E quais alimentos são essenciais para termos um maior sucesso em evitar o diabetes? Nesse mês de julho, dois novos artigos publicados no British Medical Journal vieram a reforçar a recomendação de se consumir mais alimentos integrais, vegetais e frutas com o intuito de prevenir o diabetes. Isso pode até parecer meio óbvio para muitos, mas será que temos a real noção da força que esses alimentos possuem? O primeiro estudo analisou o efeito dos alimentos integrais. Foram acompanhadas 200.000 pessoas durante 24 anos e o resultado foi que aqueles que consumiram mais esse tipo de alimento, correspondente a uma ou mais porções ao dia, tiveram um risco 29% menor de desenvolver diabetes comparado ao grupo que raramente consumia os integrais, no caso uma porção ou menos ao mês. Os alimentos integrais que mostraram benefícios nesse estudo foram os cereais integrais, pão preto, farinha de aveia, farelos, gérmen de trigo e arroz integralJá o outro estudo mostrou que as pessoas que apresentavam no sangue maiores níveis de vitamina C e carotenoides tinham um menor risco de desenvolver diabetes. Após excluir do estudo aqueles que aumentaram os níveis dessas vitaminas por meio de suplementos, verificou-se que altos níveis de vitamina C e carotenoides eram obtidos por meio do maior consumo de frutas e vegetais, respectivamenteConsumir pelo menos 66g de vegetais e frutas ao dia reduziu em 25% o risco de desenvolver diabetes, independente de outros fatores. Isso não é pouca coisa… Alimento saudável também é remédio. Leve muito a sério aquilo que você come!
Jantar tarde pode aumentar o risco de obesidade e diabetes
Há tempos suspeitamos que jantar tarde da noite poderia levar ao ganho de peso e o surgimento do diabetes, mas faltavam evidências científicas que comprovassem essa teoria. Entretanto, um novo e interessante estudo publicado no conceituado Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism (JCEM), publicado esse mês, veio para reforçar a teoria de que comer demais tarde da noite pode não ser uma boa ideia. O estudo comparou parâmetros como oxidação de ácidos graxos (popularmente chamado de queima de gordura) e valores de glicose pós alimentação entre um grupo que jantava às 18h e realizava uma pequena ceia às 22h e outro que fazia um pequeno lanche às 18h e jantava às 22 horas. Embora seja ainda um estudo preliminar e com um número pequeno de pessoas (10 pacientes em cada grupo), os resultados estão de acordo com o que imaginávamos. Aqueles que jantavam mais tarde apresentavam uma queda de 10% na taxa de oxidação de gordura e um pico de glicose pós alimentação 18% maior em comparação àqueles que jantavam mais cedo. Mais interessante ainda, esses efeitos negativos sobre o metabolismo eram ainda mais acentuados naqueles que jantavam tarde e iam dormir logo depois comparado aos que demoravam algumas horas para ir para cama. Talvez isso realmente se deve ao fato de o metabolismo desacelerar durante o sono e não dar conta daquelas calorias extras ingeridas pouco antes de deitar-se. Ainda é cedo para batermos o martelo de que jantar tarde e ir para cama logo depois é um fator de risco para obesidade e diabetes, um número maior de pessoas ainda deve ser estudado antes de concluirmos que isso é verdadeiro. De qualquer forma, esse estudo vem ao encontro de outros trabalhos na área do cronometabolismo, que defendem que deveríamos comer melhor durante o dia e menos à noite, além de necessitarmos de tempo adequado de sono e regularidade nos horários de dormir e acordar. Dessa forma, nossas chances de mantermos o peso sob controle e evitarmos o diabetes seriam muito maiores.
Esteatose Hepática: o que você precisa saber
Você sabe o que é esteatose hepática? Talvez você já tenha ouvido falar, mas não tenha entendido o que significa. Esteatose hepática é popularmente por gordura no fígado. Ela pode ser vista em várias situações como no alcoolismo, em portadores de HIV, usuários de medicamentos como anticoncepcionais, entre outros. Porém nosso foco será na esteatose hepática naqueles com obesidade e diabetes, de longe o grupo mais acometido pelo acúmulo de gordura no fígado. Houve um tempo em que a esteatose hepática não recebia a devida atenção, mas nos últimos anos o interesse por essa doença aumentou por conta de seu risco em potencial, ainda muito subestimado. Cerca de 76% dos obesos e 50% dos diabéticos apresentam esteatose hepática, detectados por exame de imagem, mas o percentual é ainda maior se a avaliação for por biópsia de fígado. Desses, de 18% a 37% apresentarão esteato-hepatite, que é o estágio seguinte da doença, em que a gordura acumulada no fígado provoca inflamação e morte de suas células. Alguns exames de sangue relativos ao fígado podem estar alterados, como TGO, TGP, Gama GT, bilirrubinas, ferritina, fatores de coagulação e albumina. Em certas situações estará indicada a biópsia para melhor diagnóstico e noção de gravidade da doença. Após anos de esteato-hepatite, cerca de 6% desses pacientes irão evoluir com cirrose e insuficiência hepática, que é o estágio final da doença, em que uma grande parte do fígado é destruída. Nos casos de cirrose mais grave, o indivíduo apresentará quadro de icterícia (pele, olhos e mucosas amarelas), hemorragias intestinais, inchaço pelo corpo, alterações neurológicas, câncer de fígado e óbito. Nesse estágio, somente o transplante de fígado poderá salvar a vida do doente. Nos países ocidentais, a esteatose hepática é a doença mais comum do fígado e a terceira principal causa de cirrose e transplante de fígado, perdendo apenas para o alcoolismo e hepatites virais. E o que devemos fazer para diminuir o risco da esteatose hepática? O fundamental é PERDER PESO! Não basta apenas reduzir o teor de gorduras na dieta, é necessária uma dieta balanceada, rica em fibras, com predomínio de gordura mono e poli-insaturadas, carboidratos complexos, evitar o álcool, bebidas açucaradas, alimentos processados etc. Em alguns casos o uso de medicamentos específicos tanto para perda de peso e controle do diabetes como para diminuir a inflamação sobre o fígado será necessária. Se você descobriu ter esteatose hepática não perca tempo e procure um especialista!
Sensor de glicose subcutâneo: avanço no controle do diabetes
Se perguntar a um paciente diabético quais os principais motivos de aborrecimento e limitação de sua doença é quase certo que as medidas de glicose através de picadas de pontas de dedos serão muito lembradas. Além de dolorosas, elas não são práticas pois exigem necessidade de limpeza frequente dos dedos, local apropriado para descarte de material perfurante e para que se tenha uma noção mais exata de como a glicemia se comporta durante um período de 24h são necessárias várias picadas, no mínimo de 4 a 7 ao dia. Desta forma, o lançamento de sensores de glicose que medem o açúcar quase que constantemente e de forma imediata, não necessitando de picadas constantes é visto com enorme desejo por pacientes e médicos que tratam de diabetes, pois praticamente dispensam as famigeradas pontas de dedos, o que se traduz em grande comodidade e maior adesão ao auto monitoramento da glicose, fundamental para o bom controle da doença. Como funciona o sensor de glicose? O primeiro sensor de glicose disponível ao público no país é o Sistema Flash, cujo nome comercial é Freestyle Libre®. Ele tem o formato e tamanho aproximado de uma moeda de 1 real e permanece colado sobre a pele da parte posterior de um dos braços. No centro do sensor sai um filamento que atravessa a pele e entra em contato direto com o líquido do tecido subcutâneo, realizando em tempo real as medidas de glicose desse fluido. Esse filamento que faz parte do sensor é inserido através da pele por meio de um introdutor com agulha e lá permanecerá por 2 semanas realizando medidas de glicose, após esse período deve ser trocado o sensor. Ele é a prova de água, não havendo necessidade de se retirar para banho de chuveiro ou piscina, por exemplo. Para se saber o valor de glicose naquele momento é muito simples: basta passar o glicosímetro próprio em frente ao sensor e o valor aparecerá imediatamente na tela do aparelho. Outra grande vantagem do uso do sensor de glicose é que por estar em contínuo contato com o líquido subcutâneo, ele realiza medidas praticamente contínuas de glicose. Mais precisamente é capaz de armazenar automaticamente 1 medida a cada 15 minutos por até 8 horas seguidas. Cada vez que se passa o aparelho de glicosímetro em frente ao sensor, os dados armazenados desde a última leitura são transmitidos, liberando-se memória do sensor para até outras 8 horas de registro. Para facilitar o entendimento de tamanho número de dados, ao se baixar os dados do glicosímetro no computador o programa constrói gráficos com curvas de picos e quedas de glicemia ao longo das 24 horas, mostrando exatamente os pontos críticos do controle de glicose que devem ser corrigidos. Em comparação aos exames de pontas de dedos, muito mais medidas de glicose são obtidas, incluindo medidas automáticas de horários em que usualmente não são registrados, como de madrugada por exemplo, o que permite um controle do diabetes e do manejo de medicamentos muito mais preciso, principalmente para os insulino-dependentes. Todos os portadores de diabetes podem utilizar o sensor de glicose? Ainda existem limitações ao seu uso. Pacientes internados ou em situações clínicas que ocorre inchaço (edema) no local de implante do sensor, como em portadores de insuficiência cardíaca, cirrose hepática, insuficiência renal, etc, seu uso não é recomendado o pois os dados coletados podem apresentar falhas de medida. O uso em gestantes com diabetes ainda não foi registrado em bula no Brasil, embora já esteja liberado em vários países da Europa. É necessário nas primeiras 24 horas de uso a realização de algumas medidas de glicose por ponta de dedo para se checar se a calibragem do sensor está correta pois é comum nas primeiras horas haver diferenças de medidas. Além disso seu custo, embora não exorbitante se comparado ao custo das tiras reagentes de pontas de dedos, ainda é considerado elevado para maior parte da população brasileira. De qualquer forma a possibilidade de se obter um controle de glicose muito mais bem detalhado e praticamente sem necessidade de picadas constantes de pontas de dedos é, sem sombra de dúvidas, uma revolução no tratamento do diabetes e já está mudando a visão de que ter um controle de glicose adequado, principalmente nos usuários de insulina, é algo praticamente impossível de ser atingido. Ainda há muito o que evoluir no controle e tratamento do diabetes mas essa nova ferramenta, bem como outros sensores de glicose que estão a caminho, trazem alívio e esperança aos diabéticos, seus familiares e profissionais de saúde que lidam com essa doença complicada no dia-a-dia.
Vacinas indicadas para portadores de diabetes
Muitos já devem saber que os portadores de diabetes possuem um maior risco de contrair doenças infecciosas por ser parte de um grupo de pessoas com diminuição da imunidade, em especial aqueles com níveis de glicose no sangue mal controlados. Certas doenças se manifestam de maneira mais comum e mais grave nessa população, como gripes, pneumonias, infecções urinárias, meningites, etc. Uma das maneiras de se prevenir o contágio por algumas doenças infecciosas é através da vacinação específica para diabéticos que deve ser adicionada ao já tradicional calendário vacinal de crianças e adultos. Quais as vacinas estão indicadas para quem tem diabetes? As recomendações abaixo estão embasadas nas últimas diretrizes da Sociedade Brasileira de Imunização, para maiores detalhes acesse o link sbim.org.br: 1- Herpes Zoster: popularmente conhecida como “cobreiro”, trata-se da reativação do vírus da catapora (varicela) que provoca lesões bolhosas na pele, na maior parte das vezes em forma de faixa, pois se manifesta sobre determinados ramos nervosos que correspondem ao local onde surgem essas lesões, podendo acometer várias partes do corpo, como pele do abdome, tórax, pernas, ouvidos, etc. Ocorre mais comumente em diabéticos e o quadro é extremamente doloroso e incapacitante, podendo levar vários meses para a sensação de dor desaparecer e quase sempre é necessário o uso de potentes analgésicos. Além disso, o próprio quadro do herpes zoster pode levar a descompensação dos níveis de glicose no sangue e, embora não seja tão comum, alguns pacientes podem desenvolver gravíssimos quadros de menigoencefalite herpética, potencialmente fatal. Recomenda-se essa vacina para diabéticos a partir dos 50 anos de idade. 2- Influenza A e B: é conhecida como vacina da gripe e imuniza contra vários subtipos de vírus, incluindo espécies mais agressivas do tipo A H1N1, associada a maior incidência de internações hospitalares, graves quadros de insuficiência respiratória e até mesmo óbito. Os diabéticos são especialmente suscetíveis a contrair quadros gripais e existe ainda um outro agravante pouco discutido: há dados que demonstram um aumento no risco de infarto agudo do miocárdio em portadores de diabetes em cerca de 18% durante os episódios gripais. A vacina deve ser aplicada anualmente no outono em todos os diabéticos exceto naqueles menores de 6 meses de vida. 3- Pneumocócica: portadores de diabetes também apresentam maior risco de desenvolver graves quadros de pneumonia, principalmente idosos. A imunização é contra a bactéria pneumococo que é o principal agente causador de pneumonias na população adulta e não inclui outras bactérias, além de oferecer proteção contra meningite por esse tipo de bactéria. O recomendável é associar a vacina conjugada com a vacina polissacarídica 23 valente, esta última aplicada dois meses após a conjugada. Indicada para todos os diabéticos, principalmente naqueles acima dos 65 anos de idade. 4- Hepatite B: a incidência de hepatite pelo vírus B é maior em diabéticos e especial cuidado deve-se ter aqueles que trabalham com materiais potencialmente contaminados com sangue e secreções, como enfermeiros, dentistas, auxiliares de limpeza de estabelecimentos de saúde, médicos, cuidadores, doulas, etc. Periodicamente é recomendável a dosagem do anticorpo contra o vírus da Hepatite B no sangue (Anti HBs) para sabermos se a imunização ainda é efetiva ou é necessário novo reforço vacinal. Importante frisar que nem todas essas vacinas estão disponíveis na rede pública de saúde. E a vacina contra febre amarela? Pode ser dada em portadores de diabetes? A vacina para febre amarela é permitida para diabéticos desde que o mesmo apresente níveis de glicemia controlados e não estejam em tratamento de qualquer outra doença ou situação que possa diminuir a imunidade, como quimioterápicos para câncer, imunossupressores para transplantados e no tratamento de diversas doenças (ex: corticóides em altas dosagens e outros imunossupressores para o tratamento lupus, artrite reumatóide, asma, esclerose múltipla, etc), paciente internados gravemente enfermos, entre outros.
Diabetes: benefícios do consumo de iogurte
Um interessante estudo de autoria do Dr. Frank Hu, professor de nutrição da Harvard School of Public Health mostrou um leve, porém consistente, benefício na redução do risco de desenvolver diabetes naqueles que consumiram 1 copo de iogurte diário. De acordo com o autor, o consumo regular deste alimento levou a diminuição de 17% no risco de desenvolver diabetes. O estudo do tipo metanálise, reuniu diferentes ensaios populações, totalizando 460.000 pessoas, portanto um número bastante significativo de indivíduos. Durante o período de seguimento, 36.000 pessoas desenvolveram diabetes. Comparando os grupos de indivíduos que se tornaram diabéticos com o daqueles que conseguiram prevenir o desenvolvimento da doença, verificou-se que uma das características desse último era o consumo diário de uma medida de iogurte. De que maneira o iogurte preveniria o desenvolvimento do diabetes? O mecanismo exato pelo qual o iogurte atuou positivamente ainda é desconhecido, mas especula-se que a presença de probióticos, que são as conhecidas bactérias “do bem” como bifidobactérias e lactobacilos, através de um efeito competitivo contra as bactérias “ruins” que colonizam o intestino de pessoas predispostas a desenvolver diabetes, atuariam diminuindo a produção de substâncias inflamatórias procedentes do intestino que promovem resistência à insulina, ou seja, permitem que a ação deste hormônio, responsável por manter os níveis de açúcar no sangue controlados, seja mais eficaz. Além disso, parece haver uma diminuição na permeabilidade do intestino a absorção de açúcares, dificultando sua entrada na corrente sanguínea, o que também é desejável na prevenção do diabetes. De acordo com o estudo não houve diferença significativa com relação aos diferentes tipos de iogurte, seja do tipo grego, integral ou desnatado (recomenda-se, entretanto, iogurtes com baixo teor de açúcar) e, possivelmente, outros alimentos que possuam características semelhantes, como leite fermentado, queijos ou fórmulas dietéticas contendo probióticos devam apresentar um efeito parecido, mas são necessários mais estudos específicos. Seria então o iogurte um alimento “milagroso” para portadores de diabetes ou para quem quer prevenir essa doença? Obviamente o efeito do iogurte na dieta não é mágico! Em ambos os grupos estudados, para que a comparação do efeito desta sobremesa ficasse evidente, era necessário que todos os pacientes estivessem seguindo um intenso programa de reeducação alimentar e atividades físicas. O consumo desse produto deve ser diário e constante para que seu benefício apareça. De qualquer forma, essa é uma boa notícia para quem sofre de diabetes e vê seu cardápio cada vez mais restrito ou mesmo para aqueles que desejam ter uma alimentação mais saudável e com menor risco de desenvolver essa doença, bem como suas complicações, além de ser muito saboroso! Gostou deste artigo? Clique aqui e receba mais informações e dicas de saúde em endocrinologia.
