Quanto de atividade física devo fazer para perder peso?

Essa é uma pergunta difícil de responder, pois depende de uma série de fatores, como idade, sexo, aptidão física, qualidade da dieta, entre outros. Para complicar ainda mais, ocorre ainda um fenômeno de compensação alimentar, em que quanto mais energia gastamos nos exercícios mais fome sentimos, isso nos leva a comer mais e a empatar o consumo calórico com o gasto energético. Sabemos que reduzir a ingesta calórica e melhorar a qualidade alimentar tem mais impacto na perda de peso do que somente fazer exercícios sem se preocupar com a dieta. Isso tem levado muitos a questionar se fazer atividades físicas, embora saudável, seja mesmo útil para perda de peso. Entretanto, um estudo publicado no início do ano na revista “Medicine & Science In Sports & Exercises” mostrou que esse comer compensatório parece ter um limite calórico máximo. Se ultrapassarmos esse valor, o gasto com exercícios finalmente venceria esse “cabo de guerra”. Esse estudo comparou 2 grupos de pessoas, um que se exercitava 2 vezes por semana, 1 hora e 30 minutos por dia e gastava 1500 kcal na semana com outro que se exercitava 5 vezes por semana, 1 hora ao dia e gastava 3000 kcal na semana. As atividades eram de moderada intensidade em ambos os grupos. E o que se viu foi algo interessante. Em ambos os grupos, as pessoas passaram a comer até 1000 kcal a mais compensatórias durante a semana, mas dificilmente ultrapassam esse valor. Subtraindo o gasto calórico pelo consumo extra de calorias, o primeiro grupo conseguiu somente um saldo de 500 kcal de perda, praticamente nada, enquanto o segundo grupo obteve um saldo de 2000 kcal de perda. Em resumo, parece ser uma boa estratégia recomendar 5 horas de exercício físico de moderada intensidade por semana visando perda de peso. São necessários mais estudos para chegarmos a uma conclusão definitiva e não foram consideradas as particularidades de cada um, mas é muito mais estimulante praticarmos exercícios quando temos alguma meta de tempo e calorias a ser batida.

Qual a diferença entre nódulo e cisto de tireoide?

Decidi fazer esse post pois vejo que essa é uma dúvida muito frequente no consultório do endocrinologista e que gera muita angústia nos pacientes e seus familiares. Compreender essa diferença, mesmo que de forma básica, pode ajudar a diminuirmos nosso nível de ansiedade se estivermos diante de um ultrassom com essa alteração. Em primeiro lugar nódulo é uma região de um órgão ou tecido que cresce de forma independente e forma uma lesão circunscrita, ou uma espécie de “bolinha”. Essa lesão pode ser constituída por um aglomerado de células que cresce e forma o que chamamos de um nódulo sólido. Por outro lado, um nódulo pode ser preenchido por líquido, aí chamamos ele de cisto. No caso da tireoide, esse líquido pode ser sangue, restos de células que se desintegraram ou coloide, um tipo de material a base de proteínas, gelatinoso, que é utilizado na formação dos hormônios da tireoide. Existem ainda os nódulos mistos ou sólido-císticos, em que uma parte é composta por um aglomerado de células e outra é preenchida por líquido. Por que saber isso é importante? Os diferentes tipos de cânceres, inclusive os de tireoide, são formados por aglomerados de células que se desenvolvem de maneira anômala e agressiva e tem a capacidade de se espalhar, invadir e danificar outros órgãos e tecidos. Como um cisto tem pouca ou nenhuma célula, as chances dessa lesão se tornar maligna é quase zero. No caso dos nódulos mistos, quanto maior a proporção de líquido, melhor. Uma minoria de cistos de tireoide pode crescer demais e gerar algum incômodo local, dificuldade para engolir, sensação de sufocamento ou desconforto estético, mas não são graves. Por outro lado, nem todo o nódulo sólido é um câncer, pelo contrário, a grande maioria dessas lesões são benignas e bem comuns na tireoide. Cabe ao médico especialista saber analisar certas características desse nódulo ao ultrassom, que não é o tema de hoje, para decidir se é suspeito o bastante para ser submetido a uma punção e análise microscópica de suas células.

Diabetes e o cuidado com os olhos

O diabetes é uma das doenças que mais acomete os olhos, em alguns casos ocasionando cegueira completa e irreversível. São várias as complicações oculares causadas pelo diabetes, desde instabilidade na refração (quando a visão para longe ou perto parece variar), estrabismo por paralisia dos nervos dos músculos oculares, maior risco para úlceras de córnea, catarata e glaucoma. Entretanto, a complicação mais comum e que mais leva a cegueira é a retinopatia diabética. Nesse caso, o alto nível de glicose leva a obstrução das delicadas artérias das retinas, que é a região dos olhos onde se formam as imagens, provocando ruptura destes vasos e sangramentos. Por sua vez, a má circulação das retinas induz ao crescimento de novos vasos para “compensar” os obstruídos, mas eles são mais frágeis, se rompem com facilidade e causam hemorragias, descolamento da retina e perda visual. Apesar de grave, é comum os pacientes diabéticos não darem a devida atenção aos olhos, pois no início os sintomas visuais são raros e leves. Porém, quanto mais tempo a pessoa tem de diabetes, maiores serão as chances de desenvolver tais complicações. Após 10 a 15 anos de diabetes, cerca de 25% a 50% dos pacientes vão ter algum grau de retinopatia. Esse número aumenta com o passar dos anos e praticamente todos os pacientes com 30 anos ou mais de diabetes desenvolverão retinopatia. Por isso, o controle glicêmico rigoroso e precoce, assim que o diabetes é diagnosticado, é a medida mais importante de prevenção a ser tomada. Além disso, o paciente deverá ter um bom controle da pressão arterial, do colesterol, deixar de fumar e ter hábitos de vida saudáveis. E além do acompanhamento com endocrinologista, o paciente diabético deverá visitar o oftalmologista pelo menos uma vez ao ano para a realização de exames mais detalhados dos olhos e eventual tratamento.

O que é preciso saber sobre a sibutramina

Sibutramina é uma velha conhecida de muitos que lutam contra o excesso de peso. Apesar de estar conosco desde os anos 90, muita polêmica permanece no ar. Percebo isso no meu dia a dia de consultório. Muitos não querem ouvir falar dela, temem seus efeitos colaterais ou se usam não dizem para seus familiares e amigos por receio de serem criticados. Existem dois grandes temores com relação ao uso da sibutramina: o medo de ter uma doença cardiovascular grave ou de se tornar dependente do remédio. Para entendermos melhor essa desconfiança, temos que voltar a 2011, ano em que um estudo sobre a sibutramina chamado SCOUT (The Sibutramine Cardiovascular Outcomes) foi publicado. Nesse estudo, a sibutramina foi avaliada em mais de 10 mil pacientes com 55 anos de idade ou mais e que já tinham um alto risco de doença cardiovascular (eram diabéticos, hipertensos mal controlados, tinham histórico de infarto ou acidente vascular cerebral, entre outros). Como resultado, observou-se um aumento de 16% no risco desses pacientes terem um infarto ou acidente vascular cerebral não fatal, parada cardíaca ou morte cardiovascular. Apesar desse aumento ser notado somente nesse grupo de maior risco, isso foi o suficiente para abalar a reputação da sibutramina e ser proibida em vários paísesNo Brasil, sua venda não foi suspensa, mas passou a ter um controle mais rigoroso. O receituário mudou para tarja preta, que significa medicamento com potencial de causar dependência. Na realidade isso foi um artifício criado para dificultar seu acesso, na própria bula da sibutramina nada consta sobre dependência. Porém, por ser um medicamento que age no sistema nervoso central, ela pode ser contraindicada para diversos pacientes com transtornos psiquiátricos. Em resumo, a sibutramina continua a ser uma medicação útil e eficaz no combate a obesidade, mas sua prescrição deve ser criteriosa, somente por médico especializado e após adequada avaliação do risco cardiovascular e psiquiátrico. Jamais se automedique!!!

14 de novembro: dia mundial da diabetes

Dia 14 de novembro celebraremos o Dia Mundial do Diabetes, que está inserido em uma campanha de conscientização maior, juntamente com o câncer de próstata, que é o “Novembro Azul”.⠀Acredito que a maior parte das pessoas já sabe dos riscos que o diabetes pode trazer a nossa saúde. Ele aumenta o risco de doenças cardiovasculares como infarto, acidente vascular cerebral, além de levar a disfunção de nervos, insuficiência renal, amputações, demência, cegueira, diminuição da expectativa de vida entre outros.⠀Não bastasse essas conhecidas complicações temos agora a COVID-19 que pode acometer os diabéticos de forma mais grave.⠀Enfim, ser diabético é viver sob a sombra constante de uma doença sorrateira, que em muitos casos avança sem dar aviso até que surjam graves complicações.⠀Porém, hoje eu gostaria de me dirigir aos pacientes diabéticos e seus familiares não para criar pânico, mas sim para trazer uma palavra de conforto e esperança.⠀Na última década presenciamos enormes avanços no tratamento do diabetes.⠀Melhoramos a abordagem da dieta, em que procuramos enfatizar mais o comer com qualidade do que simplesmente restringir certos alimentos sem oferecer opções, assim como evoluímos na prescrição de exercícios físicos para os diabéticos.⠀Além disso, surgiram novidades como sensores para medir glicose sem necessidade de várias picadas nas pontas dos dedos, insulinas mais modernas e precisas, medicamentos melhores, com menor risco de hipoglicemias, que tratam não somente o diabetes como a obesidade, a gordura no fígado e que reduzem mais intensamente o risco de doença cardiovascular e insuficiência renal.⠀Sei que muitos desses novos tratamentos ainda não são acessíveis a todos, mas mesmo com pouco hoje conseguimos atender melhor os diabéticos do que anos atrás e os custos com novas tecnologias tendem a cair com o tempo.⠀Ainda que estejamos longe de uma cura, hoje é possível ser diabético e ter mais qualidade de vida e menos sofrimento. Procure um endocrinologista e saiba mais.

9 frutas low carb para comer sem culpa

Frutas são dos alimentos mais saudáveis que existem. Elas são ricas em fibras, vitaminas A e C, antioxidantes, potássio, hidratam e são uma boa fonte de energia, e é aí que devemos ter cuidado. Pessoas diabéticas ou que desejam perder peso devem saber que muitas frutas são ricas em frutose – o açúcar ou carboidrato da fruta – e o consumo exagerado pode causar problemas. Entretanto, algumas frutas possuem menos açúcar, medido em gramas de carboidrato para cada 100 g de fruta, e devem ser preferidas: 1 – Melancia: 7,5 g de carboidrato/100 g de fruta. Com um sabor bem doce, é rica em água e vitaminas. 2 – Melão Cantaloupe: 8 g de carboidrato/100 g de fruta ou uma xícara da fruta picada. Essa variedade de melão é rica em vitaminas A, C e ácido fólico e contém baixas quantidades de açúcar e sódio. 3 – Morango: 7 g de carboidrato/100 g de fruta ou equivalente a 8 unidades médias. Contém mais vitamina C do que a laranja por grama de alimento! 4 – Framboesa: 8 g de carboidrato/100 g de fruta ou 1 xícara. Além de boa fonte de vitaminas também é rica em fibras, porém evite comprar muito pois podem estragar logo depois de 1 a 2 dias da compra. 5 – Amora: 10 g de carboidrato/100 g de fruta ou 1 xícara. Parente da framboesa, conhecidas por “berries” em países de língua inglesa, são ricas em antioxidantes e de fácil digestão. 6 – Pêssego: 8 g de carboidrato/100 g de fruta ou 1 unidade média. Difícil encontrar uma fruta que é tão doce e ao mesmo tempo com tão pouco açúcar. 7 – Abacate: 8,5 g de carboidrato/100 g de fruta ou pouco menos de 1 xícara. Rico em fibras, gordura monoinsaturada e possui mais potássio do que a banana! 8 – Abacaxi: 11g de carboidrato/100 g de fruta. É uma importante fonte de manganês, um mineral essencial para o bom funcionamento hormonal, do sistema nervoso, além de auxiliar na absorção intestinal de cálcio. 9 – Ameixa: 7,6 g de carboidrato/100 g de fruta ou 1 unidade média. Também são ricas em potássio, mas atenção, prefira a fruta fresca, já que a ameixa seca contém muito açúcar.

Os benefícios e riscos da cafeína

A cafeína é a substância psicoestimulante de venda livre mais consumida no mundo. Quem aqui não toma um cafezinho logo de manhã para dar aquela despertada e se preparar para um novo dia? Ela aumenta o estado de alerta e concentração.⠀Esse é somente um dos efeitos positivos da cafeína. Ela também é amplamente utilizada como um recurso ergogênico por atletas, ou seja, pode melhorar o desempenho e a recuperação pós treino.⠀É comprovado que o consumo de cerca de 2,5 xícaras de café coado, o que equivale a 250 mg a 400 mg de cafeína 1 hora ou mais antes do exercício, reduz a sensação de fadiga e dor em treinos de longa duração (endurance) e também em treinos musculares com maior número de repetições e carga submáximaEm tese a cafeína aumenta a liberação e oxidação de ácidos graxos, ou de forma mais simples ajuda a “queimar gorduras”, porém seu resultado em termos de perda de peso em repouso é muito discreto.⠀Ao que parece esse benefício se torna mais evidente quando combinamos a cafeína ao exercício físico, pois ela direciona o organismo a utilizar preferencialmente as reservas de energia das gorduras ao invés de gastar o glicogênio, que é o açúcar estocado dentro das células.⠀A cafeína é mais potente quando consumida em sua forma anidra (cápsula, pó ou tablete) quando comparada ao café, porém é necessário termos alguns cuidados com relação a sua procedência e concentração, pois superdosagens de cafeína vistas em muitos suplementos populares podem fazer mal à saúde.⠀A ingesta dessa substância aumenta a produção de neurotransmissores de excitação como a noradrenalina, a dopamina e o glutamato. Em doses exageradas (acima de 9 mg/kg de peso corporal) esse aumento pode provocar sintomas como arritmia cardíaca, tremores, irritabilidade, insônia, ansiedade, sudorese, aumento da pressão arterial e até mesmo a morte em doses acima de 15 mg/kg, portanto atenção aos rótulos. Eu aprecio muito um bom café, tomo em média 3 xícaras ao dia e gosto de um sabor mais forte e encorpado, e você?

3 dúvidas mais comuns sobre medicamentos para colesterol

Uma situação comum que eu vejo no consultório é os pacientes abandonarem com frequência o tratamento medicamentoso para colesterol muito mais do que, por exemplo, os remédios para hipertensão e diabetes.Existem alguns motivos bem conhecidos que fazem os pacientes desistirem desses medicamentos, nesse caso falo mais especificamente das estatinas, como a rosuvastatina, sinvastatina, atorvastatina, entre outras. Um é o medo dos efeitos colaterais das estatinas. De fato, alguns são bem conhecidos e relativamente comuns como a dor muscular, que em alguns casos pode ser realmente incômoda, embora com uso de estatinas mais modernas esse sintoma seja mais difícil de ocorrer. O mais temido é o risco de as estatinas provocarem lesão renal grave com risco de falência do órgão. Entretanto, isso é extremamente raro de acontecer e era mais comum com a cerivastatina, que inclusive já foi retirada do mercado há anos, porém a fama de fazer mal para os rins permanece até hoje. Outra grande razão que leva os pacientes a deixarem de lado as estatinas parece ser um desconhecimento de como realmente elas funcionam. Estatinas não devem ser usadas somente para baixar o colesterol e depois retiradas. Esse medicamento é muito importante para reduzir o tamanho das placas de ateroma ou gordura que se depositam na parede das artérias. Porém, esse efeito demora muitos anos para ser notado e é necessário que o colesterol esteja controlado por um longo período para que seu benefício na redução do risco cardiovascular aconteça. Para finalizar, muitos não irão conseguir reduzir o colesterol somente com dieta. Cerca de 10% a 20% dos pacientes possuem uma das formas genéticas e familiares de aumento do colesterol. Geralmente suspeitamos dessa doença quando o aumento ocorre em pacientes com peso normal e dieta saudável, surge já na infância e, em muitos casos, com níveis bastante elevados. É muito importante o tratamento adequado pois é uma das principais causas de mortalidade cardiovascular em jovens.

O que você come altera o seu humor

Comer, sem dúvida, está entre os maiores prazeres da vida. Não só pelo sabor dos alimentos, mas porque o ato de comer geralmente está associado a bons momentos, como um encontro com amigos, um almoço em família ou simplesmente aquela pausa no trabalho para um lanche ou café.Para aliviarmos a tensão do dia-a-dia é comum irmos atrás de alimentos apetitosos, carregados de açúcares, gorduras e sódio, também chamados de hiperpalatáveis, na busca por aqueles minutos de felicidade que só uma coxinha ou um bolo de chocolate poderia nos dar. Mas você sabia que o consumo frequente desse tipo de comida pode com o tempo piorar o seu humor ao invés de melhorar? Alimentos ultra processados, ricos em açúcares e farinhas refinadas e gorduras saturadas aumentam a formação de radicais livres, o estresse oxidativo e a inflamação sobre os neurônios, o que acaba por alterar de forma negativa a função dessas células. De maneira simplista, é como dar gasolina batizada como combustível para nosso cérebro, o desempenho irá piorar. Além disso, esses alimentos podem diminuir a população de bactérias “do bem” da flora intestinal pelos mesmos mecanismos acima citados. Tais microrganismos auxiliam na produção do neurotransmissor serotonina, que é responsável por regular o sono, o apetite e nos deixarmos de bom humor. Estudos que compararam populações que consumiam dieta mediterrânea, rica em legumes, azeite, oleaginosas, grãos e peixes, dieta japonesa tradicional com aqueles que adotaram uma dieta ocidental baseada em alimentos ultra processados mostraram uma incidência de transtornos depressivos e de ansiedade de 25% a 35% maior nesses últimos. Quem já experimentou trocar esse tipo de dieta por uma mais saudável sabe do que estou falando. Em pouco tempo somos tomados por uma sensação de leveza e prazer duradouros, muito melhor do que aquela satisfação fugaz de comer qualquer guloseima que, com o tempo, cobrará um alto preço sobre nossa saúde física e mental. Como tudo na vida, moderação é essencial.

Arroz branco em excesso aumenta o risco de diabetes

Base da dieta do brasileiro e de vários povos do mundo, é difícil imaginar nosso prato sem arroz e seu parceiro inseparável o feijão. Existem vários tipos de arroz, integral, negro, selvagem, basmati, jasmine etc., mas o mais consumido não só aqui como no resto do planeta é o arroz branco polido. Apesar desse arroz ser produzido em larga escala, ser mais durável e de mais fácil estocagem, ele é um dos alimentos que mais elevam a glicemia após as refeições, o que acaba por forçar o pâncreas a produzir muito mais insulina para controlar a taxa de glicose e leva, com o passar dos anos, a sua sobrecarga, esgotamento e desenvolvimento de diabetes. Isso não quer dizer que devemos cortar o arroz branco da dieta e sim consumir com moderação. Então, qual quantidade de arroz poderia ser considerada nociva? De acordo com um estudo publicado esse mês na revista médica Diabetes Care que observou o padrão de consumo de arroz branco em diversos países do mundo, aqueles que consumiam 3 ou mais xícaras de arroz branco cozido ao dia (> 450 g de arroz), tiveram um risco 20% maior de desenvolver diabetes tipo 2 em comparação aqueles que consumiam no máximo uma xícara de arroz branco ao dia (< 150 g ao dia) ao longo de quase 10 anos de acompanhamento. Esse risco foi ainda maior em países do sul da Ásia, como Índia, Paquistão, Bangladesh e Nepal, que são os recordistas mundiais no consumo de arroz branco, em média 630 g ao dia e o risco de ter diabetes foi 61% maior. Apesar de hoje criticarmos o aumento do preço do arroz, ele ainda é considerado um produto barato, de tal forma que há uma relação entre aumento da pobreza e maior consumo proporcional de arroz em detrimento de outros alimentos. Portanto, é essencial termos refeições balanceadas, com carnes magras, feijões, legumes e vegetais, que irão diminuir o espaço do prato a ser preenchido pelo arroz branco. E, sempre que possível, opte pelo arroz em sua forma integral, que tem uma absorção de glicose menor do que o branco.